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Morre, aos 70 anos, o cantor e compositor cearense Belchior


O músico cearense Belchior teve morte confirmada neste domingo, 30, no Rio Grande do Sul, aos 70 anos.

O Governo do Estado do Ceará foi contatado pela manhã com um pedido de traslado do corpo. O chefe da Casa Civil, Nélson Martins, recebeu uma ligação do sindicalista Walmick Ribeiro, que, por sua vez, havia recebido a informação sobre a morte do cantor por meio do contato da presidente da Federação Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal, Célia Zingler.

Célia era vizinha de Belchior na cidade de Santa Cruz. Um representante da Casa Militar do Rio Grande do Sul já esteve na residência de Belchior e confirmou a informação para a Casa Militar do Ceará, na pessoa do coronel Túlio Studart.

As causas da morte ainda são desconhecidas. O sepultamento deve ocorrer na cidade de Sobral, um desejo expresso por Belchior.

Em nota, o governador Camilo Santana decretou luto oficial de três dias no Estado e reconheceu a importância de Belchior para a música brasileira. Confira a nota na íntegra:



O secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba também se pronunciou sobre o luto que o Ceará vive. "Além de se despedir da genialidade, do lirismo e da contundência de Belchior, de sua magistral reinvenção da canção popular brasileira, capaz de levar a todas as classes sociais temas densos e profundos, também embalados em espírito crítico, irônico, transformador, o Ceará diz adeus neste domingo a um sonho cultivado por seus cidadãos: o de ver Belchior, na hora que ele julgasse acertada, retornar a nosso Estado e, quem sabe, também aos palcos e estúdios. Com a certeza de muitas e maravilhosas coisas novas pra dizer. Além da importância de sua vasta obra musical, que merece ser cada vez mais estudada, conhecida e reconhecida para além dos grandes sucessos, ficam para sempre nos corações dos cearenses o sorriso, a verve e as canções do eterno Bel. Porque viver é melhor que sonhar", declarou, em nota, o titular da Secult.

Enigmático e "desaparecido"
Um dos compositores mais emblemáticos dos anos 1970, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em 1946 em Sobral, no Ceará, onde trabalhou em rádio e bebeu direto na fonte do repente, influência sentida em suas letras. 

Nos anos 1970, após cursar filosofia, ligou-se a um grupo de jovens compositores cearenses que queriam seguir a carreira musical, entre eles o cantor Fagner.

Em 1972, foi descoberto por Elis Regina, ao lançar “Mucuripe”, canção sua com o amigo. A cantora se ficaria ainda mais próxima de Belchior ao regravar “Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”, lançadas no disco mais célebre do cearense, “Alucinação” (1976).

Nos últimos anos, Belchior ficou conhecido por ter abandonado a carreira, a família e os bens pessoais. Em 2009, chegou a ser dado como desaparecido, mas foi visto na cidade de Artigas, no Uruguai e, depois, em Porto Alegre. Santa Cruz era sua atual morada.




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