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Vegetação avança nas rodovias do CE e traz risco para motoristas e pedestres

O período chuvoso, tão necessário ao Sertão, colore a Caatinga e muda o horizonte às margens das rodovias, até que o verde ao longe se aproxima, sobe o asfalto e toma o acostamento. A travessia de pedestres fica ainda mais arriscada rente aos veículos. Também os motoristas ficam sob alerta com a maior incidência de animais na pista.

Mas é possível entender que a culpa não estaria na chuva, se meses antes das precipitações o mato já avança em placas de sinalização à beira da rodovia. O Departamento de Edificações e Rodovias (DER) informa que realiza operações de roço, limpeza e retirada do mato até três metros da rodovia.

Demanda
Nesse período de chuvas, ocorrem operações emergenciais. A reportagem não obteve informação do Departamento sobre quais rodovias são alvo neste mês. De acordo com a assessoria, o destino dos trabalhos varia conforme a demanda aleatória das áreas. E mesmo com o serviço, realizado pelos 11 Distritos Operacionais do Interior e da Capital, muitas rodovias estaduais estão necessitando um trabalho urgente.

Na região Centro-Sul, flagramos crianças e adolescentes indo para a escola no início da manhã, dividindo espaço com motos, carros e caminhões. O acostamento, ou um arremedo de via após a pista de rolamento, de tão pequeno que não cabe um carro, está tomado pelo mato, já invadindo a faixa principal.

A situação foi encontrada tanto em rodovias estaduais como federais. A paisagem verde às margens das rodovias no Vale do Jaguaribe traz o alento de mais chuvas, mas na BR 116, altura do município de Jaguaribe, o acostamento para quem trafega no sentido Capital-Interior tem vários trechos tomados pelo mato, impedindo que se visualize a placa de sinalização.

O Departamento Estadual de Rodovias (DER) é responsável pela conservação, com prevenção e correção da infraestrutura rodoviária. O órgão estadual realizou operações recentes na CE 257, trecho entre Canindé e Santa Quitéria, na CE 085, em Paracuru e na CE 040, em Aracati.

Todos os anos, são registrados acidentes nas CEs e BRs no Ceará envolvendo bichos. Detran e Polícia Rodoviária Federal (PRF) possuem programas de retirada dos animais das rodovias.

Os que são recolhidos nas CEs vão para uma fazenda mantida pelo Governo do Estado em Santa Quitéria, no Sertão Central. Predominam os jumentos, seguidos dos bovinos e caprinos.

No período chuvoso, é mais comum a presença de animais na pista para se aquecerem no asfalto e fugirem dos mosquitos. É também o momento em que o motorista está mais vulnerável, sobretudo, pela menor visibilidade do trajeto.

O morador André de Castro, da zona rural de Choró, reclama que o mato tem tomado de conta de um trecho da rodovia CE 404. "O ideal seria que, antes da quadra invernosa, fosse retirado o matagal próximo da rodovia. O problema é que deixam para fazer mais quando a vegetação já tomou de conta", reclama. Moradores do Maciço de Baturité também relatam riscos de travessia, como é o caso na CE 356.

A situação torna-se mais crítica na travessia de estudantes. Eles precisam se deslocar de comunidades rurais às margens da rodovia até à parada de ônibus. Em Iguatu, são obrigadas a atravessar um trecho de 200 metros em que mato invade a pista.

Captura
O Detran não possui estatística das vítimas de acidentes envolvendo animais, mas, de acordo com o órgão, 1.500 animais foram apreendidos somente nos dois primeiros meses de 2017. Em todo o ano passado, foram 9.600 apreensões, das quais 90% de jumentos - em 2013, o número de apreensões chegou a 14 mil, reduzido após as operações de captura.

Apreensões
1,5 mil animais foram apreendidos nas rodovias estaduais do Ceará somente em janeiro e fevereiro deste ano, de acordo com levantamento do Detran

MELQUÍADES JÚNIOR
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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