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Juazeiro do Norte (CE): Receita Federal investiga sonegação de R$ 42,5 mi

Com o objetivo de combater a omissão de rendimentos e sonegação de impostos e contribuições por empresas prestadoras de serviços e fornecedoras de bens às prefeituras do Estado, a Delegacia da Receita Federal deste município iniciou a primeira operação do Ceará em combate a estas práticas. Segundo os auditores-fiscais que estão coordenando a operação, 81 empresas de 49 municípios do Estado venderam produtos ou prestaram serviços em valores que somam aproximadamente R$ 500 milhões nos últimos três anos. Deste montante, cerca de R$ 400 milhões em receitas foram omitidos por essas empresas causando uma sonegação estimada em R$ 42,5 milhões em tributos.

"Essas empresas atuam em todo o território cearense", pontua o delegado da Receita Federal em Juazeiro do Norte, Marcos Alexandre Lucena da Costa. Conforme explica, o fisco também esta investigando a movimentação financeira das empresas, notas fiscais de compras e movimentação de vendas com cartões de crédito.

"O valor sonegado por elas pode ultrapassar os R$ 50 milhões, quando se leva em consideração que muitas destas empresas, além de receberem das prefeituras, também negociam com particulares", acrescentou Marcos Alexandre.

O auditor destaca que os valores em questão podem se elevar consideravelmente, "caso os contribuintes não busquem a autorregularização antes de serem autuados pela Receita Federal, já que, neste caso, os valores apurados em fiscalização são agravados em 75%, 112,5%, 150% ou mesmo 225%, este último nos casos em que o auditor-fiscal constate evidente intenção de fraude".

Além da omissão de receitas, continua Marcos, "alguns contribuintes foram selecionados para análise por terem se utilizado de percentuais incorretos de presunção de lucro e base de cálculo da CSLL, informação incorreta da receita bruta acumulada nos 12 meses anteriores, informação de imunidades inaplicáveis ao tipo de contribuinte/receita ou permanência indevida no Simples Nacional após atingido o teto de receitas estabelecido para este regime".

Marcos Alexandre destaca que o órgão tem incentivado sobremaneira a busca da autorregularização por parte dos contribuintes, notificando as empresas e abrindo oportunidades para que omissões ou erros cometidos sejam corrigidos pelo próprio contribuinte. Ressalta-se que é de interesse dessas empresas manter a regularidade fiscal para continuar contratando com o poder público.

"Já há alguns anos, a Receita tem buscado provocar uma mudança no comportamento do contribuinte, principalmente nas empresas que prestam serviços à prefeituras e que não declaram de forma correta suas movimentações. Elas tentam se esquivar o máximo possível do fisco, mas acreditamos que, com uma fiscalização mais próxima, acompanhando de perto as movimentações, quase que em tempo real, as irregularidades tendem a diminuir", explica o auditor. Para ele, o grande problema encontrado tem sido o fechamento dessas empresas em curto espaço de tempo.

"Essas empresas geralmente fecham num tempo muito curto, em dois, três anos elas encerram o CNPJ e tentam se esquivar dos impostos. Nosso objetivo é evitar toda e qualquer prática ilícita e, ao verem que a Receita está atenta, naturalmente essas empresas vão buscar trabalhar dentro da legalidade", finaliza Marcos Alexandre.

Operação
Segundo a Receita Federal, o levantamento dos dados teve por base informações de pagamentos realizados por todas as 184 prefeituras do Estado do Ceará, e abrangeu contribuintes localizados na área de atuação da Delegacia da Receita Federal em Juazeiro do Norte.

Esta área abrange as regiões do Cariri, Centro Sul, Vale do Salgado e municípios dos Sertões dos Inhamuns e Quixeramobim, assim com cidades do Vale do Jaguaribe. A operação iniciada nesta semana não tem prazo para encerrar.

Montante
500 milhões de reais foi o valor dos produtos vendidos ou serviços prestados às prefeitura por parte das empresas alvo da investigação da Receita Federal

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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