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Após apagar foto de jantar com Moro, Karnal responde a críticos


Após receber uma enxurrada de críticas em sua página no Facebook, o professor e historiador Leandro Karnal escreveu um texto no fim da tarde deste domingo (12) justificando a foto em que aparece em um jantar com o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsével pelas ações penais de primeira instância da Operação Lava Jato.

Karnal já havia apagado a publicação na qual falava do jantar com o juiz na noite da última sexta-feira (10). Na foto, junto com Karnal e Moro, também estava o juiz Anderson Furlan, da 5ª Vara Federal em Maringá (Noroeste do Paraná), amigo de Moro.

Visto como referência da esquerda, Karnal teve de enfrentar milhares de críticas de seus seguidores por ter postado a foto com o juiz.

“Tenho imensa curiosidade em conversar com pessoas que fazem parte da história”, justificou o historiador em texto publicado na página (veja a íntegra abaixo).

Karnal também falou sobre seu relacionamento profissional com o Moro. “O plano em comum que tenho com o juiz Moro é o fato de que ambos daremos uma palestra na pós graduação da PUC com muitos outros nomes do cenário nacional. Isso estava acertado há meses. Fui vago demais em campo minado”, disse.

A amizade com Moro causou estranheza nos seguidores, que enxergaram o encontro quase como uma traição aos princípios defendidos pelo pensador. Algumas pessoas fizeram uma espécie de campanha para que a página de Karnal deixasse de ser seguida por quem acredita que Moro persegue a esquerda. Karnal também foi chamado de midiático e oportunista.

No post apagado em que aparecia com Moro, Karnal dizia: “Dia intenso em Curitiba. Encerro com um jantar com dois bons amigos: juiz Furlan e juiz Sergio Moro. Talvez não faça sentido para alguns. O mundo não é linear. A noite e os vinhos foram ótimos. Amo ouvir gente inteligente. Discutimos possibilidades de projetos em comum”. A imagem ultrapassou os 6 mil compartilhamentos, 10 mil comentários e 37 mil reações – a maioria negativa.

Mesmo se justificando pelo encontro, Karnal criticou o “dualismo” vivido no Brasil hoje. “Como tenho afirmado, o mundo é mais amplo do que qualquer dualismo. Entre concordâncias e discordâncias é possível conversar com pessoas de um amplo espectro político, jurídico e cultural. Por fim: eu paguei o vinho. Bom fim de domingo”, finalizou.

Leia o texto na íntegra:

“Para amigos e interessados

Acho que bons amigos e seguidores pedem com tranquilidade e eu aprofunde temas sobre o jantar que eletrizou o país. As pessoas que me odeiam não precisam, mas as que gostam merecem. Por elas, vamos a eles:

– Sou amigo do juiz Furlan há algum tempo. Temos chance de encontros por este país e ele, muito culto, autor de muitos livros e também autor de coluna para grande público no jornal Metro e Gazeta do Povo, ensina-me muito. Ele é próximo ao juiz Moro e sugeriu um encontro entre nós quando eu estivesse em Curitiba. Encontrei-me com o juiz Moro pela primeira vez na sexta à noite (10 de março) para jantar.

– Tenho imensa curiosidade em conversar com pessoas que fazem parte da história. Como eu disse na página, adoraria ter um jantar com Ciro Gomes, com Maria da Penha, com Maria do Rosário, com Lula e com outras pessoas. Todos me ensinariam bastante sobre sua visão de mundo, o que faria eu pensar muito. Realmente gostaria disto.

– O plano em comum que tenho com o juiz Moro é o fato de que ambos daremos uma palestra na pós graduação da PUC com muitos outros nomes do cenário nacional. Isso estava acertado há meses. Fui vago demais em campo minado.

– Para os que me seguem e gostam, enfatizo que continuo o mesmo, como continuaria pós um encontro com a presidente Dilma (a quem eu tb gostaria de encontrar). Meu interesse pelo mundo é maior do que qualquer outra questão. Continuo um crítico do racismo, da misoginia, da homofobia, um professor interessado de forma apaixonada na educação.

– Claro que todas as pessoas são livres para curtir ou descurtir a página de forma inteiramente livre. Faz parte da opção de cada um. Eu, tal como vocês, sou/somos livres para encontrar quem desejamos e para estar nas páginas que desejamos. Recebi muitas críticas pela foto e muitos apoios, ambos polarizados. Continuo estranhando polarização mesmo, pois acho mais fígado do que cérebro. A política em si me interessa pouco, a partidária menos ainda e volto a insistir no que digo há anos: a corrupção brasileira é um mal generalizado.

– Lamento a polarização no Brasil e lamento o clima que, por poucas explicações minhas, causei. Tomarei mais cuidado e desculpo-me por isto. Quando eu tiver encontros com outras autoridades e pessoas de referência, prometo, guardarei para mim e pra meu debate interno. O momento brasileiro é estranho e há uma vontade nacional de crucificar.

– Todos agora são livres para continuarem gostando de mim ou me odiando. Não há problema nisto. Não voltarei a este tema. Por perceber que errei, deletei o post com a foto feito após algum vinho. Se beber não poste. Sigam livres suas convicções, sem problema algum.

– Sinto-me como Ícaro que mistura vaidade e vontade de conhecer. Isso leva a me queimar por vezes. Quase sempre quero ver as coisas de perto. Já estou em idade para seguir Dédalo. Continuarei como sempre escrevendo, lendo, dando aulas, palestras, vendo exposições e comentando tudo que me encanta neste mundo: arte, literatura, ensino. A quem me perguntar com clareza e desarmado minhas opiniões políticas, eu as darei com a serenidade costumeira, longe da internet onde ninguém mais escuta ninguém neste campo. Como tenho afirmado, o mundo é mais amplo do que qualquer dualismo. Entre concordâncias e discordâncias é possível conversar com pessoas de um amplo espectro político, jurídico e cultural.

– Por fim: eu paguei o vinho. Bom fim de domingo

Leandro Karnal”

Fonte: Paraná Portal

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