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Obras de transposição soam como promessas distantes

Devido aos cinco anos consecutivos de estiagem no Estado, a maioria dos reservatórios está com capacidade abaixo dos 30%, conforme a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O Cinturão das Águas (CAC), cujo objetivo, segundo Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), é "aumentar a garantia do abastecimento humano da segunda região mais populosa do Estado", o sertão do Ceará, com cerca de 720 mil habitantes, é um dos investimentos do Governo para enfrentar essa crise. A obra prevê a construção de 1,3 mil Km de canais, sifões e túneis que levarão água, de forma gravitária, isto é, sem necessidade de utilização de estações de bombeamento, para 12 bacias hidrográficas.

Andamento
O principal e mais adiantado canteiro de obras do CAC no momento é o lote I, com 49% já executado. Ele se concentra na área que receberá as águas da transposição, a partir de Jati. O lote II tem 23% dos serviços executados; o lote III, 19%; lote IV, 4,26%; e o quinto lote (que corresponde aos túneis), com 51% executados. Apesar da magnitude da intervenção e dos benefícios que ela promete gerar ao sertanejo, muitos estão preocupados com a celeridade de alguns trechos.

Serviços suspensos
O agricultor Manoel Justino da Silva, 65, tem uma pequena propriedade na zona rural de Missão Velha, em Jamacaru. A poucos metros de onde ele planta milho, feijão e cria algumas cabeças de gado, passará o canal do CAC, do lote 2. Seu Manoel conta que, quando recebeu a notícia da obra, a esperança por tempos melhores tomou conta da região, onde residem mais de 20 famílias. Hoje, porém, a realidade é outra. As obras no local estão paradas há mais de um ano.

"Sei lá quando vão recomeçar. Pensamos que íamos ter pelo menos um pouco de água para agricultura e para alimentar os gado, independentemente da chuva, mas a realidade é outra. Todo mundo aqui está rezando para em 2017 o inverno ser melhor, pois não teremos água do canal nem tão cedo", lamentou.

O prazo de conclusão, segundo a SRH, "dependerá do sistemático repasse de recursos pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Integração Nacional". Esse repasse, ainda conforme a pasta, encontra-se normalizado atualmente. No entanto, apesar de a SRH não estimar uma data, a expectativa, segundo o governador do Estado, Camilo Santana (PT), é de que o primeiro trecho de 32Km seja entregue junto ao PISF, em dezembro deste ano. Até o momento foram investidos R$ 654 mi.

A Transposição do Rio São Francisco é maior obra hídrica do País. Ela beneficiará 12 milhões de pessoas em quatro Estados. Com as águas do Velho Chico, será possível dar aporte aos reservatórios cearenses, incluindo o Castanhão, maior açude do Estado e responsável por abastecer boa parte da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

O projeto é executado por etapas, priorizando as captações até os Estados que serão beneficiados, no chamado "caminho das águas", e atua em duas frentes. O eixo Norte, que levará água para áreas do Pernambuco, e o eixo Leste, cujo destino das águas será o Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Segundo o Ministério da Integração Nacional (MI), os dois eixos estão 90,5% finalizados.

Além do trecho linear, a obra prevê a construção de quatro túneis - o maior dele de 15Km -, 14 aquedutos, 27 reservatórios e nove estações de bombeamentos. Caso o prazo estabelecido seja cumprido, a expectativa é de que as águas corram pelos canais até o primeiro trimestre de 2017. Diante o quadro crítico, potencializado pelo quinto ano consecutivo de estiagem, o governador do Estado, Camilo Santana (PT) afirmou que a obra da Transposição "é a grande segurança para o Ceará em relação ao abastecimento de água, principalmente em 2017".

Interrupção
No fim do primeiro semestre deste ano, a empresa Mendes Júnior Trading S.A., até então responsável pela construção das estruturas de engenharia da primeira etapa (Meta 1N) do Eixo Norte da Transposição, anunciou que estava enfrentando dificuldades de financiamento e, por esta razão, pediu a transferência de contrato firmado para outra empresa.

Para garantir o andamento das obras daquele trecho, o Governo Federal vai abrir licitação e o resultado deve sair até o início próximo ano, conforme o ministro Helder Barbalho. "A nossa previsão é abrir o edital até o fim de janeiro. Se o cronograma for respeitado, no segundo semestre de 2017 nós cumpriremos com a nossa responsabilidade de assegurar que a água do Eixo Norte chegue aos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte", explicou.

Helder Barbalho ressaltou, porém, que os serviços dos outros trechos do Eixo Norte estão avançados. "Todos os outros lotes desse eixo estão com índice de execução próximos a 97%. Inclusive, em São José de Piranhas (PB), que faz fronteira com o Rio Grande do Norte, está com 99% e pronto para receber a água do São Francisco", explica. O Eixo Leste permanece com o calendário de conclusão para dezembro deste ano e as águas do Velho Chico chegarão a Monteiro (PB) até fevereiro de 2017. A previsão é atender a cidade de Campina Grande (PB) até abril de 2017.

Com a conclusão de ambas as obras (CAC e Transposição), espera-se que os principais reservatórios cearenses ganhem aporte.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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