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Ciclovias se multiplicam no Interior do CE

Tendência mundial e amplamente difundida nos países europeus, as ciclovias começam a ganhar cada vez mais espaço no Brasil. No Interior do Ceará, a realidade é a mesma. A mudança de vida e a busca por práticas mais saudáveis impulsionaram a necessidade de criação de espaços exclusivos para os ciclistas. Recentemente, o governo do Estado inaugurou, em Limoeiro do Norte, a Avenida do Contorno, projeto que contempla uma ciclovia com extensão de 8,7Km, a primeira do Vale do Jaguaribe.

Apesar deste equipamento, muitas regiões cearenses ainda carecem de um espaço que disponha de segurança ao praticante. Na região Jaguaribana, onde as bicicletas têm voltado a circular com maior frequência, o desafio é encontrar espaços para a sua prática, segundo conta a vendedora Valéria Cristine Santiago, moradora da cidade de Russas.

"É importante para a segurança do ciclista a implantação das ciclovias em nossa cidade. O fato de não existir nega o direito de escolha de quem opta pela bicicleta com meio de transporte e de lazer, colocando sempre o ciclista na defensiva nesse trânsito onde só se respeita o maior, ou seja, o carro", ressalta.

Diante dessa dificuldade, ela relata que os ciclistas, tanto os esportivos quanto os de lazer, estão se arriscando nas rodovias. Em Russas eles ocupam os acostamentos da BR-116 e da CE-356, onde não há ciclofaixas. "Eles acabam pedalando em locais não apropriados e tendo que enfrentar o perigo do trânsito pesado nas rodovias. Isso é um constante transtorno", lamenta.

Na cidade de Quixeramobim, no Sertão Central, foi iniciada a implantação de uma ciclofaixa. A obra deve permitir maior segurança aos usuários e o investimento já começa a atrair a atenção de usuários. Com uma extensão total de 6Km, o equipamento é construído ao longo do trecho da CE-060 que passa por dentro do perímetro urbano do Município.

Até o momento, apenas um quilômetro foi construído. Segundo o agente inspetor da Autarquia Municipal de Trânsito de local (AMTQ), Willame Ferreira, a dificuldade em concluir a obra se deve ao atual momento de crise pela qual passam as prefeituras do País com cortes de gastos. "Não dispomos de muitos recursos e temos dificuldades na aquisição de materiais. Mas acredito que logo isso seja resolvido", disse o agente.

Ao longo do próximo semestre, a ciclofaixa, que começou a ser feita em maio deste ano, deve estar concluída. Como ainda está em fase inicial, a obra representa um espaço pequeno em meio ao trânsito intenso de carros do Centro. Mesmo assim, Willame explica que a aceitação do público é considerada positiva. "Com a chegada dessa iniciativa, andar de bicicleta é uma atividade que cresceu muito, tanto para lazer, atividade esportiva como para se deslocar para o trabalho", relata.

Procura
O sucesso da novidade pode ser medido pela quantidade de ciclistas lotam as ruas da cidade. Em um ano, conforme dados da Autarquia, a prática cresceu cerca de 300%. "E se duvidar esse número pode ser ainda maior! É gente que usa de manhã, de tarde e de noite e que cobra que a gente conclua o trabalho", frisa.

A ciclofaixa é uma das metas do plano Quixeramobim 2020, apresentado em abril deste ano, um projeto social desenvolvido por especialistas de várias áreas que, com a participação da população, busca tornar a cidade um modelo urbanístico no Brasil, a partir de temas como acessibilidade e mobilidade urbana.

Trânsito
A importância das ciclovias vai além da prática segura do esporte. O espaço é visto como alternativa para organizar e ajudar a desafogar o tráfego nos grandes centros urbanos. Em Sobral, no Norte do Estado, a utilização de bicicletas é vista pela engenharia de trânsito como uma das soluções para o transporte urbano, sem perder a praticidade no cotidiano. Estas faixas ou áreas agilizam a movimentação de veículos e pessoas, além de estimular o uso das bicicletas como mais uma opção de locomoção.

Este Município, por exemplo, é cortado por 17Km de ciclovias, áreas separadas por blocos de concreto, e mais 1,3Km de ciclofaixa, espaços separados no asfalto com sinalização horizontal, instalada na Rua Caetano Figueiredo, importante via que interliga três bairros populosos, Cohab I e II e Sinhá Saboia. A Avenida Senador Fernandes Távora, de acesso à entrada da cidade, por quem vem de Fortaleza, foi a primeira a ter instalada uma ciclovia, em 2006, que interliga o Bairro Sinhá Saboia ao Centro.

Outra via também se estende, interligando ao Centro, os bairros Parque Silvana I e II; e Parque Santo Antônio e Dom Expedito. A ciclovia circula por fora da área central, por toda a extensão da Av. Ildefonso de Holanda, por onde circulam o Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT) e o trem de carga, que cortam boa parte da cidade.

O pedreiro Antônio Paulo Sousa, morador do Bairro Cohab I, se desloca quatro vezes por dia para dar conta do trabalho, no outro lado da cidade. Segundo ele, são cerca de 8Km percorridos utilizando a ciclovia. "Essa faixa que separa o ciclista da área dos carros é uma proteção para quem, como eu, percorre a cidade de bicicleta. Conheço pessoas que já se acidentaram por não utilizar o espaço correto. Para mim, é uma vantagem", disse.

Segundo o coordenador de trânsito de Sobral, Julis Guedes, a cidade tem uma média de 85 mil veículos circulando todos os dias, dividindo espaço com motociclistas, que representam 53 mil, desse total. Daí a necessidade de ter a ciclovia como benefício, além de encorajar o ciclismo como um meio de transporte, o que é essencial para desafogar o trânsito pesado e diminuir o consumo de combustíveis para o transporte urbano.

O coordenador ressalta, ainda, que as ciclovias em Sobral, assim como em outros grandes centros, têm a vantagem de criar um trânsito mais fluido, diminuindo a incidência de acidentes em função da disputa entre carros, motos e bicicletas pela via; e que obrigam os ciclistas a se moverem no sentido correto do trânsito, evitando acidentes, além de estimular a realização rotineira de exercícios físicos com uma finalidade prática.

Ciclovia Cariri
Os municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, na região do Cariri, passarão a contar, até outubro deste ano, com um ciclovia que interligará as três cidades que compõe o triângulo Crajubar. A ciclovia é um projeto da Secretaria das Cidades, executado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Ao final das obras, serão 17Km de extensão, facilitando o deslocamento entre estas cidades de pessoas que utilizam a bicicleta como transporte, por lazer ou a trabalho.

A obra tem um investimento de R$ 2.6 milhões, oriundos do Tesouro Estadual, e atualmente encontra-se com 25% de execução. O prazo estimado para sua conclusão é de 90 dias. Esta será a segunda maior ciclovia do Estado, ao lado do equipamento de Sobral. A maior está em Fortaleza, na Avenida Washington Soares, com 30Km de extensão.

Os adeptos carirenses deste tipo de transporte já contam, desde o ano passado, com uma ciclofaixa, a primeira do Interior. A ciclofaixa de lazer corresponde a um trecho de 6Km da CE-060, na avenida Leon Sampaio, que liga os municípios de Juazeiro do Norte e Barbalha. Aos domingos, os ciclistas ganham uma faixa exclusiva na Rodovia, separada por cones. Estima-se que cerca de 500 pessoas usufruam do espaço todos os domingos.

Para o diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juazeiro do Norte e ciclista há cinco anos, João Almeida, a obra irá fomentar o uso desse modal de transporte, expandindo seu uso para além do lazer, mas também para transporte. João lembra que a ciclofaixa, apesar de importante, é algo pontual, que a região já necessitava há muito tempo da criação de uma ciclovia. Conforme avalia, a estrutura física vai possibilitar maior segurança a quem utiliza a bicicleta, fazendo com que novas pessoas, outrora receosas com a falta de segurança nas avenidas, comecem a praticar o esporte.

Somente em Juazeiro do Norte, são pelo menos cinco grandes grupos de ciclistas. O Pedal do Chá é um dos maiores. Toda segunda-feira, cerca de 150 integrantes percorrem 20Km. O mototaxista Josevaldo Oliveira, conhecido como Jô, é um dos líderes da equipe. Em um ano e meio, ele conta que sua vida mudou radicalmente. De sedentário e obeso, a um "atleta", como ele mesmo se define. Neste período, perdeu 32Kg e ganhou muita disposição. "Comecei a praticar por necessidade. Era muito gordo e minha saúde estava em risco. O tempo passou e comecei a amar o esporte", afirma.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR/SUCURSAIS

Fonte: Diário do Nordeste

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